Lula e Flávio disputam voto idoso, 23,5% do eleitorado

Os candidatos à Presidência, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), intensificam a busca pelo voto dos eleitores com mais de 60 anos. Esse grupo representa quase um quarto do eleitorado brasileiro e pode ser decisivo em uma eleição que tende a ser apertada.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os eleitores com 60 anos ou mais somam 37,5 milhões neste ano, o equivalente a 23,5% dos 158,7 milhões de aptos a votar. A faixa etária cresce continuamente desde pelo menos 2010.
Pesquisa Nexus divulgada na segunda-feira (3) mostra empate técnico entre os dois candidatos: Lula tem 46% e Flávio, 45%, com margem de erro de dois pontos percentuais. Entre os eleitores mais velhos, porém, o petista aparece à frente. Levantamento do Datafolha do dia 24 indica que Lula venceria por 55% a 37% nesse grupo em um eventual segundo turno. Entre os aposentados, a vantagem é de 60% a 35%.
A equipe de Lula planeja resgatar a memória afetiva desse público, relembrando a campanha de 1989, com o jingle “Lula Lá”, e o período da ditadura militar. A estratégia busca mobilizar eleitores que podem ter dificuldades de locomoção ou menos contato com o cenário político. No domingo (2), durante a convenção do PT, o presidente afirmou que quer “pagar uma dívida com os idosos” e defendeu a criação de um programa que ofereça atividades de lazer, como natação, dança e leitura.
No campo de Flávio Bolsonaro, a aposta é o vice na chapa, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL). Relator da CPI mista do INSS, Gaspar deve ser apresentado como defensor dos aposentados. A campanha pretende usar sua atuação na comissão, que investigou descontos não autorizados em aposentadorias e pensões, para fortalecer a imagem do candidato entre os idosos.
A CPI apurou um esquema que teria descontado R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. O relatório final de Gaspar pediu o indiciamento de 216 pessoas, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente. O parecer, no entanto, foi rejeitado pela base do governo por 19 votos a 12, e a comissão terminou sem um documento final. A escolha de Gaspar também é vista como uma forma de trazer ao debate as suspeitas contra o filho de Lula, alvo de investigações no STF.
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