São Paulo, 15 – O diretor de política monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou nesta quarta-feira, 15, que o orçamento total para cortes da taxa Selic não foi tema das discussões recentes do Comitê de Política Monetária (Copom).

    A declaração foi dada durante um evento do JPMorgan, em Washington, que acontece paralelamente às reuniões de Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele respondeu a uma pergunta sobre o limite dos cortes de juros dentro do processo de calibragem, termo adotado pelo BC.

    “O orçamento da calibração nunca entrou na discussão”, disse o diretor. Ele acrescentou que é difícil pensar nesse tipo de orçamento em um cenário de grande incerteza.

    Nilton David explicou que, além da taxa neutra real de juros, estimada em 5%, há outras camadas de natureza conjuntural. Por isso, é necessária cautela para definir um nível da Selic que indique uma política monetária não restritiva. “Essas camadas são extras. Por isso, não estamos rodando só um pouco acima de 5% de juro real. Estamos muito acima. E a razão é contemplar essas ondas de coisas”, detalhou.

    Em sua apresentação, o diretor reafirmou que a atividade econômica está retornando ao seu potencial, após o fim do pico de estímulos ao consumo. Ele observou que o mercado de trabalho, embora mais apertado, é o último a sentir os efeitos dos juros elevados.

    Segundo ele, a escassez de mão de obra é mais visível no setor da construção civil, onde as condições de juros são diferentes. Sobre os últimos dados de emprego, que ficaram abaixo do esperado, Nilton David frisou que o Banco Central não baseia suas decisões em um único indicador.

    O diretor também comentou a evolução da inflação de serviços, um dos componentes monitorados de perto pela autoridade monetária. Ele avaliou que o comportamento recente desse índice tem sido compatível com o processo de convergência da inflação para a meta, ainda que alguns ajustes setoriais possam ocorrer.

    A política monetária segue focada na consolidação do cenário de desinflação, de acordo com suas declarações. O Copom tem realizado cortes na taxa básica de juros de forma gradual, sempre avaliando os riscos ao redor do cenário econômico projetado.

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    Giselle Wagner

    Giselle Wagner é formada em jornalismo pela Universidade Santa Úrsula. Trabalhou como estagiária na rádio Rio de Janeiro. Depois, foi editora chefe do Notícia da Manhã, onde cobria assuntos voltados à política brasileira.