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ONG de produtora de Dark Horse contratou advogado de Frias com verba pública

ONG de produtora de Dark Horse contratou advogado de Frias com verba pública
Dark Horse, filme sobre Bolsonaro, estreia com lançamento mundial em 11 de setembro | Reprodução (Instagram)

O Instituto Conhecer Brasil contratou um escritório de advocacia que representou o deputado federal Mário Frias (PL-SP) em quatro ações na Justiça para atuar na execução de um programa com a Prefeitura de São Paulo. O programa, que prevê a manutenção de pontos públicos de acesso a Wi-Fi em comunidades da periferia, é alvo da Polícia Civil por suspeita de fraude e desvio de recurso público. Uma operação com buscas e apreensões foi realizada na última segunda-feira, dia 1.

O advogado recebeu R$ 341,9 mil da ONG sem o detalhamento do serviço prestado, conforme prestação de contas a que o Estadão teve acesso. A contratação foi revelada pelo portal UOL.

O Instituto Conhecer Brasil é uma organização não governamental presidida por Karina da Gama, dona da Go Up Entertainment. A produtora é responsável pela produção de Dark Horse, filme inspirado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O roteiro do longa-metragem é assinado por Frias. A Polícia Civil de São Paulo suspeita que exista uma confusão patrimonial entre o instituto e a produtora, e que parte do dinheiro recebido pelo contrato tenha sido desviada para custear o filme sobre o ex-presidente.

Procurada, a Prefeitura de São Paulo negou irregularidades e afirmou que os fatos apontados pela reportagem se tratam de “ilação”, “sem fundamento” e “sem provas”.

Em junho de 2024, a entidade fechou um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura para a instalação de pontos de wi-fi livre em comunidades de baixa renda da capital. O convênio prevê a instalação de 5 mil pontos de acesso à internet, dos quais 3.200 foram implementados até o momento. Em dezembro de 2025, o contrato recebeu um aditivo de R$ 49,1 milhões para a manutenção dos roteadores já instalados. Com o adicional, os repasses da gestão municipal à entidade chegarão a R$ 157,1 milhões.

O delegado Antônio Carlos Munuera Silveira, titular da 2.ª DICCA, escreveu em ofício que há suspeitas de confusão patrimonial e de que os recursos públicos do programa tenham sido desviados para custear a produção do filme. O delegado requisitou ao Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) a análise das movimentações financeiras de Karina Ferreira da Gama, do ICB e da produtora Go Up Entertainment.

Segundo a prestação de contas do termo, de julho de 2024 a julho de 2025, foram feitos 12 pagamentos ao escritório de advocacia Aguilera Martinez. Houve um repasse de R$ 151 mil em julho de 2024 e mais 11 prestações de R$ 17,3 mil até julho do ano seguinte. As despesas são descritas como “prestação de serviços jurídicos”, sem detalhamento. No mesmo período, o escritório representou Frias em três processos na Justiça Eleitoral e um na Justiça do Estado de São Paulo.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo chamou os fatos descritos pela reportagem de “ilação irresponsável”, “sem fundamento” e “leviana”. A gestão afirmou que o fato de o escritório também atender o parlamentar não configura irregularidade e que o Instituto Conhecer Brasil foi selecionado por chamamento público.

O Instituto Conhecer Brasil e o advogado Diego Martinez foram procurados, mas não responderam.

Outro advogado contratado com emenda parlamentar

A produtora de Dark Horse contratou um outro advogado de Mário Frias com dinheiro de emenda do próprio parlamentar. Em 2024, Frias destinou duas emendas, de R$ 1 milhão cada, para dois projetos da ONG de Karina. Os recursos foram repassados à entidade no ano seguinte.

Na pasta de Ciência e Tecnologia, a iniciativa recebeu o nome de “Jovem Empreendedor”. Segundo a prestação de contas do projeto, em fevereiro deste ano, a ONG fez dois repasses a uma empresa que tem como sócio o advogado Fabio Lago Meirelles. Houve um pagamento de R$ 30 mil para serviços de contabilidade e outro, de R$ 50 mil, para serviços jurídicos. De 2022 a 2026, Fabio Lago Meirelles defendeu Mário Frias em ao menos nove processos na Justiça.

Contratação de dirigente da própria entidade

A ONG de Karina também usou a emenda do parlamentar para fazer uma contratação vedada pela legislação. O produtor de eventos Marcelo Machado recebeu um contrato de R$ 50 mil para prestar serviços de “divulgação” ao projeto “Jovem Empreendedor”. O valor foi transferido para a empresa MM7, da qual Machado é dono, em fevereiro deste ano. Machado é dirigente de outra entidade presidida por Karina, a Academia Nacional de Cultura. A lei proíbe a contratação por ONGs de empresas de seus próprios dirigentes. Machado foi procurado, mas não respondeu.

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