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Bolsa abre com atraso e dólar sobe com Fed no radar

Bolsa abre com atraso e dólar sobe com Fed no radar
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A Bolsa brasileira iniciou as negociações por volta das 12h45 desta sexta-feira (31), depois de quase três horas de atraso causadas por problemas operacionais na B3. No mesmo período, o dólar operava em leve alta, enquanto investidores monitoravam a temporada de balanços corporativos e os indicadores econômicos dos Estados Unidos divulgados na véspera, que reforçaram a expectativa de que o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) possa adotar uma política monetária menos restritiva nos próximos meses. Às 14h55, a moeda norte-americana subia 0,18%, cotada a R$ 5,071.

A Bolsa deveria ter aberto às 10h, mas a B3 comunicou um atraso na abertura da negociação de ativos. Segundo a Bolsa, os ativos cambiais e os demais permaneceram em leilão até a normalização do sistema. Em nota, a B3 informou que a negociação de todos os ativos foi retomada às 12h30. Os contratos de dólar padrão, no entanto, já haviam iniciado as negociações às 9h35. O atraso foi provocado por uma intercorrência operacional em um componente tecnológico do ambiente de pós-negociação.

“Como medida preventiva e, alinhada com participantes do mercado, decidiu no início da manhã de hoje (31 de julho), postergar o início da negociação contínua em seus mercados. A medida teve como principal objetivo preservar a integridade das informações, a segurança dos processos de pós-negociação e o adequado funcionamento da infraestrutura de mercado”, disse a B3.

Às 14h50, a Bolsa operava em alta de 0,63%, aos 178.278 pontos. Entre os destaques, as ações do Santander Brasil (SANB11) avançavam 13,34% às 15h, cotadas a R$ 28,62. Na quinta-feira (30), o banco anunciou a intenção de lançar uma oferta pública para adquirir todas as ações em circulação de sua operação brasileira, que representam cerca de 10% do capital social do Santander Brasil.

O objetivo é adquirir a totalidade das ações ordinárias, preferenciais e ADSs (American Depositary Shares, ações listadas nos Estados Unidos) em circulação que ainda não pertencem ao Santander, controlador da operação brasileira. A proposta prevê uma oferta de permuta, na qual os acionistas do Santander Brasil receberiam novas ações emitidas pelo Santander global e listadas no Brasil.

Em Wall Street, os principais índices operavam em alta nesta sexta, com os investidores repercutindo a temporada de balanços corporativos. Às 15h01, o S&P 500 avançava 0,61%, o Dow Jones tinha alta de 0,55% e o Nasdaq avançava 0,82%. Na véspera, o dia foi positivo para as Bolsas norte-americanas. O Dow Jones subiu 1,19%, o S&P 500 avançou 1,67% e o Nasdaq ganhou 2,78%.

Segundo Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue, o desempenho dos mercados tem sido impulsionado principalmente pelos resultados corporativos, em especial das empresas de tecnologia. O especialista destaca os balanços de Microsoft e Amazon, que foram impulsionados principalmente pelo segmento de computação em nuvem, diretamente ligado aos avanços em inteligência artificial. Para ele, o mercado voltou a demonstrar otimismo com o potencial de crescimento dessas empresas.

“Aquele medo que vimos em outros momentos recentes em termos de inteligência artificial deu lugar novamente ao otimismo. É um pouco desse vai e vem que o mercado tem acompanhado”, afirma. Segundo Yamashita, os investidores ainda aguardam os resultados de outras empresas relevantes para o setor de inteligência artificial, como a Nvidia. O mercado também seguirá atento aos próximos indicadores econômicos nos EUA, após a decisão de política monetária anunciada nesta semana.

Na última quarta (29), o Fed manteve a taxa de juros na faixa de 3,5% a 3,75% pela quinta reunião consecutiva. Em entrevista após a decisão, Kevin Warsh, presidente do Fed, voltou a defender a meta de inflação de 2% e admitiu desconforto com os preços ainda elevados nos EUA. “Não existe uma meta implícita mais branda. Existe apenas uma meta, e ela é de 2%”, afirmou.

Para Yamashita, a agenda de resultados corporativos acabou deixando em segundo plano o conflito no Oriente Médio, embora as tensões na região continuem sendo acompanhadas pelos investidores e sustentem a alta dos preços do petróleo. Às 15h02, o barril do Brent era negociado a US$ 88, com alta de 1,31%.

Na última quinta-feira (30), após uma pausa de cinco dias, os Estados Unidos voltaram a bombardear diretamente o Irã. A ação foi uma retaliação pelo ataque de Teerã contra forças americanas na Jordânia, ocorrido na quarta (29). O presidente Donald Trump havia antecipado os ataques, assim como sua natureza, horas antes na Casa Branca. “Então agora é nossa vez”, disse a repórteres. Segundo o Comando Central das Forças Armadas dos EUA, responsável pelo Oriente Médio, os alvos foram centros de comando e instalações de drones da Guarda Revolucionária.

No Brasil, os investidores acompanham o cenário fiscal. A dívida bruta do país subiu mais do que o esperado em junho, quando o setor público consolidado registrou déficit primário acima das expectativas, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta. A dívida pública bruta como proporção do PIB (Produto Interno Bruto) fechou junho em 81,9%, ante 81% em maio. Já a dívida líquida do setor público passou de 67,9% para 68,5% do PIB.

Para Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, os números das contas públicas reforçam a necessidade de cautela por parte dos investidores. “O próprio Banco Central já aponta uma trajetória ascendente para a dívida nos próximos anos. O governo gasta no presente, o mercado recalcula o futuro e o contribuinte descobre que sempre esteve na planilha”, afirma.

A especialista acrescenta que a queda de 0,77% do IPP (Índice de Preços ao Produtor) em junho, após recuo de 0,30% em maio, trouxe algum alívio para a formação de preços na indústria. Ainda assim, avalia que o debate sobre um corte de apenas 0,25 ponto percentual na Selic mostra que a desinflação, por si só, não elimina a necessidade de disciplina fiscal, especialmente diante da trajetória da dívida pública, da alta dos preços do petróleo e das incertezas eleitorais.

As taxas dos juros futuros exibiam leves altas no início da tarde desta sexta, após começarem a operar com atraso em razão do problema técnico na B3. Às 12h50, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,93%, alta de 0,04 ponto percentual. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 marcava 14,715%, com elevação de 0,04 ponto percentual.

O movimento acompanhava a alta dos rendimentos dos Treasuries, que avançavam pela terceira sessão consecutiva, enquanto os investidores seguiam repercutindo a decisão de política monetária do Fed. Desde que o Federal Reserve manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75%, com o presidente Kevin Warsh não demonstrando disposição para elevar a taxa, houve uma forte onda de venda de títulos do Tesouro norte-americano, impulsionando os rendimentos. Às 12h50, o rendimento do Treasury de dez anos —referência global para decisões de investimento— subia para 4,733%.

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