JÚLIA MOURA E MAELI PRADO

    SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

    Quase metade, 46%, dos brasileiros que apostam em sites de apostas e cassinos online diz que usa a prática para conseguir renda extra e ajudar a pagar contas. A informação é de uma pesquisa do Datafolha.

    O estudo ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais em 117 municípios nos dias 8 e 9 de janeiro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com 95% de confiança.

    Entre todos os entrevistados, 10% afirmaram ter o costume de apostar nesses sites. Desses, 2% apostam com alta frequência, 4% às vezes e 4% raramente.

    Considerando o total de entrevistados, 5% já apostaram para obter uma renda extra para pagar contas. Outros 1% disseram que já usaram o dinheiro separado para pagar as contas do mês para fazer apostas.

    Os apostadores são mais comuns entre os homens, com 14%, do que entre as mulheres, com 7%. O perfil mais frequente é o de jovens com ensino médio completo que têm renda de até dois salários mínimos, o que equivale a R$ 3.242.

    Análise de Especialistas e Estudos

    Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV e professor da mesma instituição, afirma que as apostas contribuem para o endividamento no Brasil. Ele ressalta, porém, que outros fatores têm mais peso, como educação financeira, oferta de crédito e o cenário macroeconômico.

    “As bets têm sua parcela de culpa, mas não são apenas elas. Também não é verdade que tudo seja um problema de educação financeira, embora ela seja importante. É uma combinação de vários fatores, que incluem renda, inflação e crescimento da economia”, disse Gonzalez.

    No Brasil, ainda há poucos estudos econômicos independentes sobre o assunto.

    Uma nova pesquisa feita pelo National Bureau of Economic Research (NBER), dos Estados Unidos, detalha como as apostas online afetam a estabilidade financeira das famílias.

    Nos EUA, cada transação tem um código de quatro dígitos. Ao analisar os códigos para “Internet Gambling” e “Apostas e Loterias”, os pesquisadores identificaram o dinheiro usado em 11 grandes plataformas, como FanDuel e DraftKings, que controlam 70% do mercado.

    A descoberta mais preocupante é o efeito de substituição direta. Os dados indicam que cada um dólar gasto em apostas leva à redução de um dólar na poupança e em outros investimentos financeiros.

    No Brasil, um estudo encomendado pelo Instituto Brasileiro do Jogo Responsável, que reúne grandes sites de apostas, diz que o jogo tem impacto limitado no consumo das famílias. Segundo a consultoria LCA, os gastos com apostas representam 0,46% do consumo, um nível parecido com o de bebidas alcoólicas, que ficam em 0,5%.

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    Giselle Wagner

    Giselle Wagner é formada em jornalismo pela Universidade Santa Úrsula. Trabalhou como estagiária na rádio Rio de Janeiro. Depois, foi editora chefe do Notícia da Manhã, onde cobria assuntos voltados à política brasileira.