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Rachas no DF disparam 28,95% e acendem alerta de segurança

Rachas no DF disparam 28,95% e acendem alerta de segurança
Reprodução

As vias públicas do Distrito Federal registraram aumento de quase 30% nos flagrantes de rachas nos primeiros cinco meses de 2026. Dados do Detran-DF mostram que as autuações subiram de 114, em 2025, para 147, em 2026. O número representa uma média de quase uma infração por dia.

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não usa o termo “racha”, mas enquadra a prática nos artigos 173 e 174, que tratam de “disputar corrida” e “promover competição”. Apenas em 2026, as ações do Detran, do DER-DF e da PMDF autuaram 10 infratores por disputa direta de corrida.

No mesmo período de 2025, o Detran havia registrado oito autuações desse tipo, de um total de 18 em todo o ano. Quem é flagrado no artigo 173 recebe multa gravíssima, com suspensão da carteira, recolhimento do veículo e multa multiplicada por 10. O valor dobra em caso de reincidência em 12 meses.

As mesmas penalidades valem para quem promove ou participa de eventos e manobras perigosas sem autorização (artigo 174), tanto para condutores quanto para organizadores. Somando todas as infrações ligadas a corridas, o DF teve 114 autuações entre janeiro e maio de 2025 e 147 no mesmo período de 2026.

O racha também é crime pelo artigo 308 do CTB. As penas variam de seis meses a três anos de detenção para disputas sem feridos, de três a seis anos de reclusão em casos de lesão grave, e de cinco a 10 anos se houver morte.

Para Leonardo Sant’Anna, especialista em segurança pública e professor do ISCP, a lei atual falha por permitir fiança e resposta em liberdade. “Quando há a percepção de falta de aplicação da lei pelo Estado, o infrator nota que a legislação é fragilizada”, afirma. Segundo ele, a impunidade reforça o comportamento do grupo.

Sant’Anna diz que a discussão sobre endurecer a pena com regime fechado ou confisco de bens ainda é precoce. “A análise deve incluir aspectos financeiros e processos de reeducação. É preciso identificar o que mais desestabiliza quem acredita que o racha compensa”, explica.

O especialista aponta que as redes sociais são o maior impulsionador do crime no DF. A exibição de vídeos no Instagram e no TikTok transformou o racha em espetáculo digital. Ele defende uma atualização na lei para que a divulgação ou aceitação de desafios na internet funcione como agravante na pena.

O problema também mobiliza o Congresso Nacional. Tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 7235/25, do deputado Amom Mandel (Cidadania-AM), que cria o Programa Nacional de Prevenção e Combate às Corridas Ilegais.

Em nota, o Detran-DF informou que a Diretoria de Policiamento e Fiscalização de Trânsito realiza ações de patrulhamento em todo o DF. A diretoria de Educação também promove campanhas para conscientizar motoristas sobre práticas seguras no trânsito.

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