Fenaj e Abraji repudiam quebra de sigilo de fonte no MA

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) criticaram e demonstraram preocupação com medidas tomadas em uma investigação da Polícia Federal. Segundo as entidades, a ação resultou na identificação da fonte do jornalista Luís Pablo, no Maranhão.
O caso acontece dentro de uma apuração sobre um suposto monitoramento ilegal do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino e de seus familiares. Conforme informações divulgadas, há suspeitas de acesso indevido a dados sigilosos e de repasse dessas informações ao jornalista, que publicou reportagens sobre o ministro. A operação da PF, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, teve como alvo, entre outros, o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão Raimundo Cutrim, apontado como fonte do jornalista.
A Abraji classificou a situação como uma violação do sigilo da fonte. A entidade afirmou que identificar quem forneceu informações ao jornalista representa um risco para o exercício da atividade jornalística e para a liberdade de imprensa. Em nota, a associação disse que uma eventual apuração sobre a origem ou a obtenção das informações pode ocorrer, mas sem violar a proteção constitucional garantida às fontes jornalísticas.
Em manifestação conjunta, a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Maranhão (Sindjor-MA) também declararam preocupação com a possível violação do direito constitucional ao sigilo da fonte. As entidades pediram esclarecimentos públicos e formais sobre os critérios que autorizaram o acesso às comunicações de Luís Pablo com suas fontes. Também solicitaram a garantia de que nenhum outro informante será identificado ou perseguido a partir do material apreendido e a preservação integral dos equipamentos jornalísticos sob sigilo.
Na Constituição Federal, o artigo 5º assegura o acesso à informação e protege o sigilo da fonte quando necessário ao exercício profissional. Para as entidades, essa garantia é essencial para o jornalismo e para a obtenção de informações de interesse público.
Na quinta-feira (13), o presidente do STF, ministro Edson Fachin, reforçou o compromisso da Corte com a liberdade de imprensa e com o direito dos jornalistas ao sigilo da fonte. Fachin afirmou que a atividade jornalística legítima não deve ser alvo de investigação e indicou que o tema deverá ser discutido pelo plenário do Supremo.
Já Alexandre de Moraes, responsável pela decisão que autorizou as medidas, disse que a investigação não tem como objetivo impedir ou criminalizar o exercício do jornalismo. Segundo o ministro, a apuração busca investigar suspeitas relacionadas ao acesso e à divulgação de informações sigilosas.
Comentários
Comentários via Facebook Social Plugin. Suas opiniões aparecem com seu perfil público.