Reflexões sobre Realidade Metafísica e Moralização
O objetivo destas reflexões é esclarecer que a realidade metafísica não está ligada à moralização. Estão fora de sintonia aqueles que moralizam, pois não percebem as forças impessoais que influenciam suas consciências. Eles, na verdade, são controlados por esses aspectos que exalta em si mesmos. Essa projeção nos outros transforma o que é impessoal em algo pessoal, de forma negativa.
Vamos começar com a ideia de que “o vento sopra onde quer” (João 3:8). Muitos de nós fomos expostos ao cristianismo em nossa infância, o que nos dá um certo entendimento. O vento realmente “sopra onde quer”, e aqueles que sentiram esse “vento” compreendem que ele vem de uma força totalmente impessoal, manifestando-se quando as condições são adequadas. Isso não significa que essa força não possa agir em alguém que esteja receptivo a ela.
Quando uma pessoa entra em contato com algo que ultrapassa o pessoal, ocorre uma série de mudanças necessárias. Essas mudanças são como renascimentos e mortes, que mantêm a harmonia com a maneira como a natureza funciona. Alguém uma vez disse que o “método da ciência é o objetivo da religião”. Isso refere-se a uma força impessoal, já que um método é, por definição, impessoal.
Mas qual é o verdadeiro objetivo da religião? De forma simples, é a identificação ontológica com algo que vai além do indivíduo. Esse conceito envolve uma conexão com realidades que transcendem a esfera pessoal, alinhando-se ao que é ser. Isso significa que a pessoa se identifica e se reafirma em um nível superior.
Quando falamos sobre moralismo, que é ligado a laços pessoais, percebemos um problema. O indivíduo se apega à sua moralidade pessoal, que nasce de um contexto cultural, tornando-se menos impessoal. O objetivo da religião, então, é envolvido por aspectos externos, dificultando o entendimento das verdades mais profundas.
Como você se sente quando alguém que não age conforme suas próprias regras critica suas escolhas de vida? Provavelmente, não se sente bem, especialmente se você estiver ligado à sua personalidade. Se a crítica for sobre algo do qual você não se apega, a reação será diferente. Não há resposta porque você está firme em sua posição. Isso mostra que a moralização só afeta quem está apegado.
A moralização pode criar sofrimento, já que muitas pessoas que se prendem ao aspecto pessoal reagem automaticamente, projetando suas próprias inseguranças no mundo externo. Elas se deixam levar por forças negativas. O pensamento esotérico oferece um caminho que nos leva além da realidade pessoal. Aqueles que alcançam certa espiritualidade podem ser mais receptivos às energias do “mundo inferior”, como espíritos e entidades voláteis.
Essas forças se comunicam com os indivíduos de maneiras sutis, como sussurros, trazendo dúvidas e medos. Sensações como intuições e ansiedades podem ser compreendidas como uma força viva que habita o nosso ser. Em momentos difíceis, podemos perceber que nem tudo que é repugnante é moralmente errado, mas sim o impacto que as ações têm sobre aqueles que as vivenciam e julgam.
Assim, sabemos que a autoafirmação do “eu inferior” é um obstáculo. Isso pode acontecer pela justificativa de um desejo ou pela diminuição da própria essência ao se conectar com impulsos mais baixos. Portanto, é fundamental se autoconhecer. Avançar no caminho oculto não vem de um envolvimento consumista que se desgasta, mas de uma “vontade vertical ativa” que busca os níveis mais altos do ser.
Para ilustrar, se alguém é ferido, em vez de moralizar e emitir um juízo pessoal, é mais apropriado ver a situação como um “vórtice” no momento da ação. Quando uma pessoa age para satisfazer suas necessidades, mesmo que sejam questionáveis, ela é puxada em direção à inferioridade. E se a outra parte identifica essa ação como algo pessoal, o mesmo ciclo negativo se repete, mesmo que indiretamente.
É importante ressaltar que não estou sugerindo inação. Há momentos em que é necessário agir, mas sempre protegendo seu centro. Uma vez que a polaridade muda, a consequência é um estado de “sobriedade”, que é descrita no poema “A Tempestade, Mente Perfeita”, encontrado na biblioteca de Nag Hammadi.
O objetivo não deve ser ser “imoral”, mas agir com clareza e controle acima dos impulsos. Isso significa aprender a comandar nossas ações de maneira mais consciente e elevada. Dessa forma, podemos nos distanciar das armadilhas do apego e entender melhor a essência da experiência que vivemos.
O caminho é, portanto, um convite à reflexão e à busca por uma conexão mais profunda com o que nos rodeia. Isso implica em crescer espiritualmente, observando e respeitando a natureza impessoal que rege nossas interações e compreendendo que a verdadeira transformação começa dentro de nós.
