Resenha de “The Woods of Arcady” de Michael Moorcock
O livro “The Woods of Arcady” é parte da série “The Sanctuary of the White Friars” e foi escrito por Michael Moorcock. Este é o segundo volume de uma trilogia que começou com “The Whispering Swarm”, que li há oito anos. A narrativa mistura autobiografia, aventura e elementos de viagem no tempo.
Na obra anterior, já havia a presença de referências à trilogia “Second Ether”. Agora, em “The Woods of Arcady”, essas referências se intensificam, especialmente relacionadas ao terceiro livro dessa trilogia, intitulado “The War Amongst the Angels”. Esse livro também se apresenta como uma história autobiográfica de Moorcock. É interessante notar que as histórias do “Second Ether” se conectam às dos livros de Von Bek e à sua série atual.
O título “The Woods of Arcady” faz alusão ao poema “The Song of the Happy Shepherd” de Yeats. Curiosamente, o livro não menciona a Grécia em sua trama. Os elementos autobiográficos não têm datas exatas e não seguem uma sequência cronológica rígida. O ponto central da história é uma viagem da família Moorcock a Paris, na década de 1970. Essa viagem inicia o aspecto de fantasia do livro.
A narrativa é uma mistura de fantasia e realidade, onde o autor também revisita momentos significativos de sua vida. No início, mesmo antes de fazer a viagem no tempo para o século XVII, há trechos que acontecem no “Second Ether”, intercalando-se com a autobiografia. Em partes posteriores, quando a fantasia ganha destaque em aventuras na África com heróis famosos, ele faz pausas para refletir sobre suas preocupações cotidianas.
Um aspecto interessante da obra é a magia da criação narrativa. Esse tipo de magia literária foi discutido por James Branch Cabell, um autor que influenciou Moorcock em sua forma de escrever. Em “The Woods of Arcady”, Moorcock menciona que teve contato com algumas ideias ocultas na infância, influenciadas pela Antroposofia de Steiner.
A escrita de Moorcock possui uma qualidade livre, como se ele estivesse contando uma história oral, em vez de seguir uma estrutura de texto muito rígida. Algumas partes do livro relembram eventos autobiográficos já abordados em “The Whispering Swarm”. Contudo, não é necessário ter lido o primeiro volume para entender e apreciar o segundo. No entanto, a compreensão de ambas as obras pode ser enriquecida pela leitura do restante da obra de Moorcock.
A narrativa, por seu formato, é envolvente. Moorcock traz sua experiência pessoal e a mescla com elementos de fantasia. Isso torna a leitura acessível e interessante, especialmente para quem gosta de histórias que fogem do convencional. As descrições e os personagens instigam a imaginação do leitor, convidando-o a explorar um mundo repleto de aventuras.
A história também aborda questões de identidade e de busca por entendimento na vida pessoal. O autor reflete sobre suas próprias ambições, a relação com a família e a realidade cotidiana, mesmo dentro de um enredo de fantasia. Essa conexão entre o fantástico e o real é uma característica marcante do estilo de Moorcock.
Em resumo, “The Woods of Arcady” é uma obra rica, repleta de referências e conexões com a própria vida de Moorcock. A leitura é convidativa tanto para aqueles que já conhecem sua trajetória quanto para novos leitores. Os temas abordados e a forma como ele narra tornam a história única e cativante.
Por tudo isso, “The Woods of Arcady” se destaca como um importante capítulo na trilogia. E, enquanto seguimos a narrativa, somos levados a refletir sobre nossas próprias experiências e a magia que encontramos em nossas vidas cotidianas. O passado, os sonhos e a fantasia se entrelaçam nesta experiência literária que é tanto uma jornada pessoal quanto uma viagem por mundos imaginários.
