O cinema brasileiro fez um grande feito no Globo de Ouro 2026 ao conquistar dois prêmios em uma única edição. O filme “O Agente Secreto” foi reconhecido como Melhor Filme de Língua Não-Inglesa, enquanto Wagner Moura ganhou na categoria de Melhor Ator em Filme de Drama. Essa é a primeira vez que o Brasil leva para casa duas estatuetas numa mesma edição da premiação.
O elenco do filme inclui três atores mineiros: Carlos Francisco, Wilson Rabelo e Laura Lufési, esta última fazendo sua estreia no cinema. Sabe-se que, em outubro do ano passado, eles deram uma entrevista, mostrando suas experiências e trajetórias no mundo da atuação.
### Laura Lufési
Laura Lufési é uma atriz de 26 anos, natural de Itaúna, uma cidade do interior de Minas Gerais. Ela cresceu em Azurita, um distrito de Mateus Leme, e está passando por um momento importante em sua carreira. Desde a infância, ela se envolveu com o teatro amador, participando de projetos escolares e festivais.
Aos 17 anos, Laura se mudou para Belo Horizonte com a intenção de cursar Letras na UFMG. No entanto, ela se deixou levar pela paixão pelo teatro. Ao chegar na capital, participou de cursos na Escola de Teatro da PUC Minas e no CEFART, conciliando com seus estudos.
Durante a pandemia, Laura decidiu mudar para São Paulo, onde foi aceita na Escola de Arte Dramática da USP. Antes de “O Agente Secreto”, ela atuou em outras produções, como a série “Colônia”, no Canal Brasil, e fez uma participação na série “Sintonia”, da Netflix.
Para o papel em “O Agente Secreto”, Laura participou de um seletivo que incluiu um teste gravado e uma fase presencial. Ela teve uma experiência positiva com o diretor Kleber Mendonça Filho, elogiando sua forma de trabalhar, que considera respeitosa e aberta às sugestões.
Um dos momentos marcantes para Laura foi contracenar com Wagner Moura. Ela se lembrou de ter expressado sua emoção para ele, que foi gentil e acolhedor, tornando a experiência inesquecível.
### Wilson Rabelo
Wilson Rabelo, também natural de Belo Horizonte e nascido em 1957, começou sua conexão com a arte na infância. Participou de festivais de teatro no colégio e teve sua primeira aproximação com o audiovisual através de programas de TV locais. Seu pai, que era radiotécnico, influenciou sua formação inicial, proporcionando a ele experiências que o impulsionaram a buscar mais na arte.
Aos 18 anos, Wilson se mudou para São Paulo, em busca de novas oportunidades. Em São Paulo, ele trabalhou em diversas áreas do teatro e do audiovisual, além de ter passado pelo Rio de Janeiro. Nesse período, fez dublagem, iluminação e atuou em várias produções.
Wilson participou de diversas produções teatrais e cinematográficas, sendo “Bacurau” um marco em sua carreira, que contribuiu para a nova geração de cineastas. Aos 68 anos, ele valoriza a arte e o cinema no Brasil, reconhecendo a importância desses meios para provocar reflexão sobre a sociedade e a história do país.
### Carlos Francisco
Carlos Francisco, 63 anos, também é um ator com uma longa trajetória no teatro e no cinema. Trabalhou com o diretor Kleber Mendonça Filho em “Bacurau”, onde teve um papel marcante. Sua história começou no teatro, onde atuava em diferentes funções, acumulando experiências como ator, administrador e outros.
Carlos descreveu o ambiente dos grupos de teatro como um “circo”, onde todos viviam intensamente aquela arte. Com isso, ele acabou optando por se afastar de projetos longos para focar no cinema. Em 2013, começou a dedicar-se de forma mais intensa ao cinema com o filme “Um Homem que Voa: Nelson Prudêncio”.
Em “O Agente Secreto”, Carlos interpreta Seu Alexandre, um projecionista. Esse personagem é inspirado em uma figura real que aparece em “Retratos Fantasmas”. Kleber homenageia o Cine São Luiz, e para se preparar para o papel, Carlos participou de uma oficina para aprender sobre a rotina de um projecionista.
A participação de atores mineiros em “O Agente Secreto” demonstra a força do talento local e como é importante dar voz a essa cultura no cinema nacional. Com as vitórias no Globo de Ouro, a visibilidade do trabalho brasileiro aumenta, promovendo uma maior valorização das histórias contadas por aqui.
Com isso, o filme se torna muito mais que uma obra de ficção: é um reflexo da sociedade e das questões que nos cercam. A presença de Laura, Wilson e Carlos no elenco é um exemplo de como a arte e a cultura ajudam a moldar nossa identidade brasileira.
Assim, o sucesso de “O Agente Secreto” mostra que o cinema brasileiro está se fortalecendo, quebrando barreiras e conquistando espaços importantes no cenário internacional. A jornada desses atores é também uma inspiração para novas gerações que sonham em seguir carreira nas artes cênicas. O reconhecimento no Globo de Ouro é um passo significativo, não apenas para eles, mas para todo o cinema brasileiro.
