Resenha de “Messias de Duna”
“Messias de Duna” é o segundo livro da série Duna, escrito por Frank Herbert. Ao relembrar minha leitura da infância, pensei que este volume seria bem diferente do primeiro. Porém, ao ler novamente agora, mais de quarenta anos depois, percebi que o estilo e a estrutura permanecem na mesma linha do livro anterior. Embora seja um livro mais curto, a narrativa mantém a perspectiva que conhecemos, focando em Paul Atreides, mas também mostrando os planos de seus inimigos.
Para os fãs do universo construído no primeiro livro, há boas surpresas. O livro aprofunda a discussão sobre a Guilda Espacial, apresentando um personagem verdadeiro que é um piloto. Além disso, somos apresentados aos Bene Tleilax, uma ordem menos respeitável, mas tão enigmática e ameaçadora quanto as Bene Gesserit. Esses tecnologistas são experts em dispositivos protéticos e têm a capacidade impressionante de quase reanimar os mortos.
Uma parte que havia esquecido é o “tarô de Duna”. A nova religião em torno de Muad’Dib gera um instrumento de adivinhação que pode interferir na presciência de Atreides. Alia, a irmã de Paul, parece se incomodar muito com isso.
Na leitura do primeiro “Duna”, percebi que Frank Herbert criticava a teoria do “grande homem” na história. Paul Atreides, apesar de ter um “terrível propósito” e ser considerado o maior homem de sua época, é mostrado como alguém que não controla totalmente o destino. Ele se vê como um instrumento de uma força maior que não consegue mudar.
Esse aspecto continua e se aprofunda em “Messias de Duna”. A obra não tem a mesma emoção de heróis em ação que o primeiro livro, já que a guerra santa foi vencida. Agora, a inteligência e a visão de Paul parecem não ajudar na construção do império. Ele percebe que estar exposto à eternidade traz suas próprias dificuldades e desafios.
Como leitor mais maduro, percebi que esses dois livros têm paralelos, não nos detalhes da trama, mas em temas e motivos amplos, com as peças de Sófocles, especialmente “Édipo Rei” e “Édipo em Colono”. Estou curioso para ver se “Antígona” também aparece em “Filhos de Duna”.
Sobre a introdução feita por Brian Herbert em 2007, recomendo pular. Ela pode criar expectativas estranhas ao tentar “defender” o livro de críticas antigas, mas traz um spoiler importante. Portanto, é melhor ler o livro primeiro.
“Messias de Duna” é uma continuação intrigante e rica, que convida o leitor a refletir sobre temas como destino e a influência do coletivo sobre o indivíduo. Através de suas páginas, Herbert expande ainda mais o universo de Duna, oferecendo novas camadas para explorar. Se você gostou do primeiro livro, este é, sem dúvida, uma leitura essencial.
