As tradições do Reinado e do Congado, importantes expressões culturais de Minas Gerais, passam por um novo momento de valorização. A Associação Cultural e Artística Ouro Negro lançou, no dia 8 de janeiro, o projeto “As Contas do Nosso Rosário – Conexão Afromineiridades”. Essa iniciativa surge após o Conselho Estadual do Patrimônio de Minas Gerais reconhecer as celebrações do Rosário como patrimônio cultural imaterial do estado.

    O projeto tem como meta promover a troca de conhecimentos entre diversas cidades, oferecendo conteúdos educativos e mais visibilidade para os integrantes das guardas. Além de celebrar a tradição, a iniciativa busca fortalecer as comunidades ao abordar a memória ancestral e a gestão de projetos e associações.

    O Matriarcado e a Importância dos Mestres

    O projeto começou com o seminário “Vivência Congadeira, Memória e Saberes Ancestrais – Desafios do Matriarcado Contemporâneo”, iniciado às 19h30. A facilitadora deste encontro foi Kelly Simone, Rainha Conga da Guarda de São Jorge de Nossa Senhora do Rosário, em Belo Horizonte.

    Cláudia Magno, presidente da Associação Ouro Negro e criadora do projeto, destaca que a escolha de uma figura feminina para abrir o evento é simbólica. A Rainha representa a liderança e a força essenciais para manter vivas as tradições e rituais ao longo das gerações.

    Programação do Projeto

    O ciclo de formação do projeto se estende além da abertura. Durante o mês de janeiro, temas como audiovisual e elaboração de projetos e portfólios serão abordados. Em março, o foco mudará para a formalização jurídica das comunidades e os diálogos com representantes do IEPHA, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais.

    Além dos seminários, o projeto também se conecta ao futuro e à educação:

    • Nas escolas: Oficinas serão oferecidas na rede pública de ensino para educar crianças e fortalecer a identidade cultural desde cedo. Mestres, como a Rainha Isabel Casimira, participarão dessas atividades.
    • Nas redes sociais: Uma série de vídeos em formato “reels” facilitará o intercâmbio entre capitães e reis de diversas cidades, como Ouro Preto, Brumadinho, Vespasiano e Conselheiro Lafaiete, unindo a tradição ao universo digital atual.

    Como Participar

    O seminário do dia 8 de janeiro está aberto a professores, estudantes e interessados na cultura afromineira. As inscrições são gratuitas e garantem um certificado de participação. A transmissão será realizada pelas redes sociais da Associação Cultural e Artística Ouro Negro.

    O projeto “As Contas do Nosso Rosário” é financiado pela Política Nacional Aldir Blanc, que apoia os Pontos de Cultura em Minas Gerais, com a colaboração da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo e do Ministério da Cultura.

    Informações do Seminário

    • Quando: Quinta-feira, 8 de janeiro, às 19h30
    • Onde: As redes sociais da Associação Cultural e Artística Ouro Negro
    • Inscrições: Através do formulário disponível na página da associação

    Esse projeto representa uma nova etapa para a conservação e a valorização das tradições culturais que fazem parte da identidade de Minas Gerais. Por meio de capacitações e intercâmbios de conhecimento, a iniciativa busca não apenas preservar, mas revigorar a conexão com as raízes afromineiras e proporcionar um espaço de aprendizado e troca para as comunidades envolvidas.

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    Giselle Wagner é formada em jornalismo pela Universidade Santa Úrsula. Trabalhou como estagiária na rádio Rio de Janeiro. Depois, foi editora chefe do Notícia da Manhã, onde cobria assuntos voltados à política brasileira.