A Origem dos Demônios

    Várias tradições religiosas reconhecem a existência de demônios como seres distintos. Geralmente, eles são vistos como tentadores da humanidade e considerados responsáveis pela “queda” humana. Essa visão assume que os demônios foram criados antes do homem e estavam predispostos a prejudicá-lo.

    No entanto, ensinamentos esotéricos, como os da Hermética e da Cabalá, sugerem que a queda dos demônios ocorreu ao mesmo tempo que a humanidade, ou até mesmo como resultado dela. Por exemplo, nas histórias Cabalísticas e Islâmicas, Satanás (Iblis) é expulso do Céu porque se recusa a reconhecer a perfeição de Adão, a nova criação divina.

    A mitologia hermética oferece uma visão mais complexa dos demônios. Eles são vistos como tendências destrutivas da mente e também como estruturas que absorvem energias criativas para camadas mais densas do cosmos. Nesse entendimento, a distorção dentro da mente humana e a queda são expressões de um mesmo processo.

    Sob a perspectiva do conhecimento, os demônios surgiram a partir do equilíbrio natural do cosmos, sem intenção de causar dano. Durante esse processo, dois modos de movimento se manifestam: um fluxo dissolvente e outro que busca transcender limites. Neste nível, os conceitos de “demônio” e “gênio” coexistem como potenciais de desenvolvimento cósmico.

    Simultaneamente, a consciência humana começa a se afastar da unidade, perdendo a conexão com o todo e se focando na individualidade. A “luz de Lúcifer”, que representa essa individuação, ganha um caráter destrutivo ao eliminar a sensação de unidade, priorizando o consumo em vez da comunhão.

    Assim, Lúcifer pode ser visto como o “pai da falsidade humana”, enquanto Lilith é considerada a “mãe dos demônios”, a fonte das estruturas que mantêm essa destrutividade. Aqui, os demônios não servem Lúcifer, mas surgem quando o princípio luciferiano gera distorções na mente humana.

    Duas distorções principais se destacam. Primeiramente, os seres humanos tornam-se ineficientes na transformação de energia, desperdiçando uma grande parte dela. Em segundo lugar, surgem estruturas “consumidoras”, entidades que absorvem essa energia. Portanto, não apenas os demônios tentam os humanos, mas também os próprios humanos geram demônios ao emitirem energia excessiva que alimenta esses padrões predatórios.

    A demonização, portanto, não é um ataque a partir de fora, mas o resultado da própria ignorância humana. Quando um fluxo invertido, naturalmente formado, combina-se com a ignorância do ser humano, ocorre uma “fixação mútua”. Nesse processo, a estrutura cósmica adquire uma forma específica, enquanto o humano encontra um “culpado” externo para suas tendências destrutivas.

    É importante ressaltar que não estamos falando de eventos que ocorreram em um momento específico da história. Não houve uma época em que os Gênios existiam sem os Demônios, nem um tempo em que a humanidade estivesse completamente em harmonia. As descrições apresentadas referem-se a leis internas de um processo já estabelecido.

    Além disso, um processo paralelo também acontece: a formação de um ambiente que apoia comportamentos destrutivos. Esse ambiente é chamado de Heimarmene e inclui uma classe adicional de “redistribuidores” de energia, chamados de Arquétipos. Esses processos também começam com a ignorância, mas, nesse caso, é a ignorância do outro.

    Os Arquétipos formam a estrutura que estabiliza as matrizes demoníacas. Se os demônios são fluxos dinâmicos, os Fomori são predadores biopsíquicos. Os Arquétipos, por sua vez, tornam-se fixadores do próprio meio; eles transformam o campo de percepção em “cristais de realidade” rígidos, que ancoram tanto as matrizes demoníacas quanto os hábitos mentais que reforçam essa estrutura.

    Por isso, a libertação dos demônios torna-se impossível sem superar, ao menos parcialmente, os quadros arquétipos que mantêm a mente presa. O estudo dos demônios não busca transferir a responsabilidade ou encontrar culpados externos. É uma disciplina prática que melhora a compreensão dos fatores que destroem a mente, visando a libertação.

    A libertação exige um diagnóstico preciso, compreendendo a natureza da aflição, sua origem e o padrão de seu desenvolvimento. A verdadeira compreensão do que são os demônios e como eles atuam é essencial para a superação do que nos prende e causa destruição interna.

    De forma geral, esses conceitos nos ajudam a entender melhor nossa relação com nossas mentes e destrutividades internas. O conhecimento sobre demônios não é apenas sobre reconhecer a presença deles, mas sim sobre entender o que criamos e como podemos resgatar a saúde mental e espiritual.

    Essas reflexões visam ajudar as pessoas a se reconectarem com a compreensão de suas próprias energias e a encontrar formas de lidar com as tentações e distorções que surgem em suas vidas. Essa jornada de conhecimento pode levar a um espaço mais claro e harmonioso na experiência humana.

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