A Raízen, uma joint venture entre a Cosan e a Shell, está passando por um momento crítico em sua história, com um crescente endividamento e pressões do mercado que a levaram a considerar uma reestruturação significativa. Informações recentes indicam que um grupo de credores da empresa está prestes a contratar a Moelis, uma assessoria financeira reconhecida, para ajudar na condução desse processo de reorganização.

    Atualmente, a Raízen enfrenta um desafio considerável em suas finanças. Em 30 de setembro de 2025, a companhia reportou uma dívida líquida de R$ 53,4 bilhões, um aumento alarmante de 48,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. O cenário se agrava com a divulgação de um prejuízo de R$ 2,3 bilhões no trimestre, quase quinze vezes maior do que o registrado entre julho e setembro de 2024.

    As ações da Raízen também refletem essa instabilidade financeira. No início da semana, as ações da empresa apresentaram uma queda de 2,60%, sendo cotadas a R$ 0,75. Considerando o ano, a queda acumulada é de 6,25%, e no espaço de 12 meses, a desvalorização supera 58%.

    As dificuldades financeiras da Raízen foram reconhecidas por três agências de classificação de risco, que recentemente rebaixaram sua nota, indicando a crescente preocupação do mercado em relação à sustentabilidade da companhia. Especialistas avaliam que, para equilibrar suas finanças, a Raízen precisaria de um aporte de pelo menos R$ 20 bilhões.

    Uma possível solução para esse problema financeiro poderia vir de uma injeção de recursos pelo BNDES, conforme relatado pelo colunista Lauro Jardim. Entretanto, o banco estatal não comenta assuntos relacionados a empresas de capital aberto, o que deixa a situação envolta em incertezas.

    No contexto da reestruturação, a Raízen já contratou outros consultores financeiros, como o Rothschild, e tem recebido suporte da Alvarez & Marsal em questões relacionadas à reestruturação empresarial, além de assistência jurídica dos escritórios Cleary Gottlieb Steen & Hamilton e Pinheiro Neto. Os detentores de títulos da dívida externa da companhia estão sendo assessorados pelo escritório White & Case.

    A contratação da Moelis é um passo estratégico para a Raízen, uma vez que a empresa tem experiência em processos de recuperação judicial, como o da Azul Linhas Aéreas, e participou de reestruturações de outras grandes empresas, como a Americanas. Essa expertise pode ser crucial para ajudar a Raízen a navegar por esse período turbulento e encontrar um caminho viável para a recuperação de sua saúde financeira.

    Com a divulgação dos resultados de 2025 se aproximando, todas as atenções estão voltadas para a Raízen e suas estratégias para enfrentar os desafios que se avizinham. A capacidade da empresa de conseguir a reestruturação necessária e reverter seu quadro de endividamento será fundamental para garantir sua sobrevivência e competitividade no mercado de açúcar e etanol, um setor já marcado por volatilidades e desafios.

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    Giselle Wagner é formada em jornalismo pela Universidade Santa Úrsula. Trabalhou como estagiária na rádio Rio de Janeiro. Depois, foi editora chefe do Notícia da Manhã, onde cobria assuntos voltados à política brasileira.