Histórias do Deus Oculto: Acontecimentos e Revelações nas Tradições Gnosticas, Esotéricas e Místicas Ocidentais
O livro “Histórias do Deus Oculto”, editado por April D. DeConick e Grant Adamson, faz parte da série Gnostica e foi publicado em 2016. Esse trabalho aborda as complexidades em torno da concepção de Deus nas tradições religiosas ocidentais.
Nas tradições religiosas ocidentais, Deus geralmente é visto como um criador semelhante ao ser humano, além de ser um legislador e rei. Ele é percebido como alguém acessível e que atua na história. No entanto, há também uma perspectiva importante que vê Deus como aquele que se esconde ativamente. Essa dualidade gera uma tensão entre um Deus acessível à humanidade e um Deus que permanece distante.
Essas duas visões, a de um Deus próximo e a de um Deus distante, são exploradas ao longo da história. Assim, a espiritualidade gnostica, esotérica e mística investe na ideia de um Deus que se oculta, fazendo dele um elemento central para místicos, gnosticos, sábios e artistas. Eles buscavam trazer à luz um Deus que, por escolha, se mantinha escondido. “Histórias do Deus Oculto” investiga essa temática desde a antiguidade até os dias atuais.
O livro é dividido em três partes principais. A primeira parte discute o conceito de ocultação do Deus escondido. A segunda parte explora a busca humana por esse Deus oculto. Por fim, a terceira parte se concentra nas revelações desse Deus que fica escondido.
A “Introdução: Em busca do Deus oculto”, escrita por April D. DeConick, lança as bases para entender a relação entre a humanidade e o divino que se esconde. Na primeira parte, são abordados temas importantes sobre a ocultação do Deus oculto.
Na primeira seção, o primeiro artigo se pergunta: “Quem está se escondendo no Evangelho de João?” Este texto reinterpreta a teologia joanina e suas raízes no gnosticismo. Essa visão traz novos entendimentos sobre como se apresenta a ideia de Deus na tradição cristã.
Outro texto discute a visão de Deus antes e depois da Criação segundo a tradição enochica, que fala de um Deus que existe fora do cosmos. Este conceito ajuda a entender a transcendência e a criação do mundo.
Ademais, é analisado o papel dos antigos deuses do Egito nos textos herméticos e no início do Sethianismo. Esses elementos mostram como diferentes culturas perceberam e reverenciaram o divino.
No que diz respeito à mística cristã, um dos artigos explora a relação entre o Deus oculto e o autoconhecimento. Esse tema é fundamental para entender a antropologia apofática, que fala sobre o que se pode conhecer ou não de Deus.
Em continuidade, o livro também fala sobre o corpo oculto de Cristo, de acordo com a obra de Alan de Lille. Neste texto, se reflete sobre a maneira como a presença de Cristo é percebida de maneira ambígua nas tradições cristãs.
Na segunda parte do livro, a busca do humano pelo Deus oculto é aprofundada. Uma das discussões se concentra na relação entre as escrituras e os profetas, que revelam a Deus nas Homilias Pseudo-Clementinas. Esse texto é importante para entender as diferentes interpretações que surgiram ao longo dos tempos.
Outro artigo questiona quão escondido Deus realmente estava nas antigas e medievais obras herméticas. Esses escritos nos mostram como a revelação divina e a aprendizagem sobre o sagrado se entrelaçam.
O tema da revelação prossegue com uma análise da mudança da condição de oculto para revelado nas doutrinas Sethianas, incluindo rituais e a criação do mundo. Essa transformação é um aspecto central nas práticas espirituais.
É também discutido o xamanismo e a história oculta da moderna Cabala. Essa perspectiva resgata tradições que influenciaram e foram influenciadas por diversas correntes religiosas.
Os textos também exploram a ideia de ver o Deus oculto no Islamismo, retratando a busca por uma conexão espiritual através dos sonhos. Essa abordagem diversifica a forma como o divino é percebido dentro de diferentes religiões.
Na terceira parte, são apresentadas as revelações do Deus oculto. Um dos artigos investiga como a arte nas antigas sinagogas revela e oculta ao mesmo tempo a imagem de Deus. Esse tema artístico oferece um novo ângulo para se pensar a presença divina nas tradições.
A arte cristã é mais uma questão abordada, focando na invisibilidade do Deus cristão e como isso se reflete nas criações artísticas. Esse estudo revela camadas de interpretação sobre criaturas que se encontram em obras visuais.
Um artigo intrigante discute a figura do Mothman e sua relação com a ideia de monstros e demônios, conforme a perspectiva de John A. Keel. Este texto apresenta uma visão incomum sobre a demonologia por trás de fenômenos contemporâneos.
Ainda na última seção, o livro traz à tona a esoterismo e gnosticismo dentro da Nação do Islã, destacando a carreira de Elijah Muhammad. Esse relato mostra como a espiritualidade e a ocultação de ensinamentos se entrelaçam nesse contexto.
Outro aspecto tratado é sobre a consciência e a ocultação na expressão de espiritualistas afro-americanos. É explorado como esses indivíduos lidam com suas experiências e práticas espirituais em um mundo que muitas vezes não reconhece suas tradições.
Por fim, o livro se pergunta se existe uma cultura oculta dentro da academia através do caso de Joseph P. Farrell. Essa investigação questiona a relação entre conhecimento acadêmico e práticas esotéricas.
Em um epílogo, o livro conclui relacionando misticismo, gnosticismo e esoterismo. Mostra como essas disciplinas se conectam e se influenciam mutuamente, criando um diálogo rico sobre o Deus oculto.
“Histórias do Deus Oculto” oferece uma visão abrangente sobre como a ideia de Deus se manifesta nas tradições religiosas ocidentais. Traz à tona discussões importantes sobre a busca humana pelo divino que muitas vezes permanece escondido. Ao longo do livro, cada texto serve para enriquecer essa conversa e estimular reflexões sobre o que realmente sabemos ou não sobre o sagrado.
Se você deseja entender mais sobre a presença e a ausência de Deus nas tradições espirituais, este livro é um convite valioso à reflexão e ao conhecimento.
