A Academia Mineira de Letras elegeu, na tarde desta quinta-feira (22), Márcio Borges como seu novo membro imortal. Márcio é poeta, compositor e escritor mineiro conhecido. Ele é um dos fundadores do famoso Clube da Esquina. Com a nova posição, Márcio vai ocupar a cadeira de número 29, que tem muita história.
No processo de eleição, Márcio concorreu com outros 11 candidatos e recebeu 32 dos 34 votos possíveis, sendo escolhido com um apoio expressivo. A cadeira 29 é histórica. Ela foi criada por Lindolpho Gomes e tem Aureliano Pimentel como seu patrono. Já foi ocupada por personalidades como Milton Campos e Pedro Aleixo, entre outros renomados.
O presidente da Academia, Jacyntho Lins Brandão, deu boas-vindas a Márcio e destacou que sua eleição é um reconhecimento por tudo que ele fez pela cultura do Brasil. Ele ressaltou que a chegada de Márcio honra a Academia, unindo sua história à do Clube da Esquina e à rica produção musical de Minas Gerais.
Sobre Márcio Borges
Márcio Borges, que tem 75 anos, é um talentoso poeta, compositor e escritor. Ele nasceu em Belo Horizonte e começou sua carreira artística em 1968. É irmão do também músico Lô Borges e dos dois, junto com Milton Nascimento, construíram uma carreira respeitável no Brasil e no exterior.
Com mais de duzentas composições gravadas, Márcio teve seus trabalhos interpretados por artistas renomados como Elis Regina, Nana Caymmi e Sérgio Mendes. O Clube da Esquina, movimento musical criado por ele e outros, se tornou um marco na história da música popular brasileira.
Além de sua carreira musical, Márcio Borges se destacou no cinema. Ele trabalhou como cineasta amador e roteirista, ganhando prêmios em festivais de juventude. Seu curta-metragem “Joãozinho e Maria”, produzido em 1967, é um exemplo de seu talento. Ele também dirigiu espetáculos musicais para Milton e Lô Borges durante 20 anos.
Foi em 1996 que ele publicou seu primeiro livro, “Os Sonhos Não Envelhecem – Histórias do Clube da Esquina”, que está em sua décima terceira edição. Em 1998, traduziu um livro de poemas de Paul McCartney, “Blackbird Singing”. Ele também lançou a coletânea “Clube da Esquina – 40 Anos” em 2012.
Em 2022, comentou os 50 anos de gravação do disco “Clube da Esquina”, que foi considerado por muitos como o melhor disco brasileiro de todos os tempos. A parceria com a jornalista Cris Fuscaldo resultou no livro “De Tudo Se Faz Canção”.
Márcio é um palestrante ativo e tem levado seu seminário “As Palavras Cantadas” a diversas cidades do Brasil, como São Paulo e Rio de Janeiro. Seu objetivo é incentivar pessoas, independentemente de experiência, a compor letras de músicas. Em 2011, apresentou um show na ONU com Milton Nascimento e Lô Borges.
Clube da Esquina
O Clube da Esquina é um movimento musical que nasceu em Belo Horizonte no final da década de 1960. Ele é considerado um dos mais importantes na história da Música Popular Brasileira. Era um espaço onde músicos e compositores se reuniam para trocar ideias e criar juntos.
O nome do movimento vem da esquina das ruas Paraisópolis e Divinópolis, no bairro de Santa Teresa, que se tornou um ponto de encontro para esses artistas. Além de Márcio, os irmãos Lô e Milton Nascimento também foram fundamentais para a formação do Clube.
A sonoridade do Clube da Esquina é bastante inovadora, misturando vários estilos. Tem influências da bossa nova, jazz, rock e até da música erudita. O coletivo é conhecido pela sua criatividade e pela capacidade de unir diferentes gêneros musicais.
No decorrer dos anos, o Clube da Esquina se tornou um marco na cultura musical brasileira, gerando numerosos álbuns e influenciando gerações de músicos. Márcio Borges e seus parceiros contribuíram para que a música mineira ganhasse visibilidade nacional e internacional.
Seu legado continua a inspirar novas gerações, e a recente eleição de Márcio para a Academia Mineira de Letras reforça a importância do seu trabalho. A música e a poesia que ele criou através dos anos moldaram a cultura brasileira e, por isso, seu reconhecimento é um ponto de grande alegria para muitos.
